Manual da Vivência
SEJAM
BEM VIND@S!
APRESENTAÇÃO
O
cotidiano dos povos e comunidades de matriz africana, é constituído por um
intenso e rico processo de construção e socialização de saberes, no entanto a
circulação destes conhecimentos não segue um modelo rígido, nem se baseia em
uma mera transmissão de conteúdos com base no limitado modelo convencional de
ensino-aprendizagem. Nem, por isso a sabedoria ancestralmente compartilhada nos
terreiros deixa de expressar como uma
importante experiência educativa, no entanto, ela se difere profundamente do
formato escolar formal, pois, no sistema de saberes/fazeres praticados nas comunidades de matriz
africanas, a educação é trabalhada como uma práxis holística que está
alicerçada em uma ética que conecta um conjunto de dimensões (culturais,
sociais, políticas, ecológicas, econômicas e filosóficas) todas amparadas no
paradigma da ancestralidade.
A
Comunidade Caxuté, se constitui em um espaço que dialoga com o conjunto de
aspectos elencados acima. O Terreiro Caxuté possui mais de duas décadas de
funcionamento e é coordenado pela sacerdotisa Afro, Mam'etu Kafurengá (Mãe
Barbára Dyá Lemba Ye Kitembu), o espaço está situado em uma comunidade do campo
conhecida como Cajaíba, no distrito de Maricoabo, município de Valença – BA.
Além de ser um local destinado a celebração dos Mikisi e Caboclos, a Comunidade
de matriz africana Caxuté é mantenedora da primeira Escola de Matriz Africana
do Baixo Sul da Bahia – Escola Caxuté que foi reconhecida com o Prêmio de
Culturas Afro-brasileiras oferecido pela Fundação Palmares no ano de 2014 e
pelo IPHAN como espaço de Boas Práticas de Salvaguarda do Patrimônio Cultural
Imaterial.
É justamente por entender a importância da autoafirmação como
estratégia básica para manutenção da identidade e superação das desigualdades
que o terreiro se constitui em um território que resguarda e atualiza um
conjunto de sabedorias produzidas por sujeitos historicamente excluídos dos
lugares oficiais de “poder”, onde se mantém a ordem verticalizada imposta pela
lógica da sociedade de consumo vigente.
A Comunidade Caxuté vem ao longo dos
últimos anos, construindo junto a uma série de parceiros, um conjunto de
iniciativas que possibilite uma prática social e cultural para além da
colonialidade, enraizada em uma cosmovisão construída e compartilhada pelos
Povos e Comunidades de Terreiro oriundos da tradição Bantu, é neste sentido que
propomos a realização da III Vivência Internacional na Comunidade Caxuté (VIVER
TERREIRO).
Nguzu! Associação
Religiosa e Cultural Terreiro Caxuté Tempo Marvila Senzala do Dendê - ACULTEMA
A
FESTA DA MAIONGA
Maionga é um
termo oriundo do kimbundu (um dos dialetos derivados do troco etno-linguístico
Bantu) e corresponde a denominação de banho sagrado, sendo utilizado não só
para os ritos de limpeza, como também é empregado nos rituais de iniciação do
Candomblé. Dentro do Candomblé conhecido como nação Angola a Maionga é
considerado como um banho sagrado, destinado especialmente à limpeza do corpo e
do espírito. Nos cultos de candomblé Angola é indispensável que se dedique um
momento para este banho de purificação, pois sua força é muito grande e permite
um contato intenso com a energia (Nguzu) dos Mkisi.
O
RITUAL PARA KITEMBU
Kitembu é o
Nkisi considerado “soba” de Angola está ligado aos ciclos que desencadeiam os
processos naturais como: a atmosfera, as estações do ano e até mesmo o tempo
cronológico, por isso mesmo é cultuado no Brasil também sob o nome de Tempo. As
principais referências que remetem ao culto desse ancestral são a bandeira
branca, simbolizando a época em que os povos Bantu eram nômades e que usavam a
bandeira tanto para se localizarem durante suas migrações e também para servir
como guia dos caçadores indicando o local de retorno. Também é saudado em
terras brasileiras a partir da árvore conhecida como Gameleira Branca. Kitembu
ocupa lugar de destaque no Terreiro Caxuté, pois é um dos Ancestrais regentes
da casa.
ORIENTAÇÕES
GERAIS DA VIVÊNCIA
1.
@ participante credenciad@ tem a
obrigação de respeitar e se fazer respeitad@ pelos membros da Comunidade
Caxuté.
2.
Saber respeitar as opiniões de todos e
todas presentes na vivência.
3.
A vivência é um espaço de promoção do
amor, da harmonia, da tranquilidade, da compreensão, do bom viver, da ética, da
busca e partilha de conhecimentos.
4.
Fica proibido a utilização de drogas
ilícitas, bem como o uso de bebida e cigarro durante as atividades da vivência,
proibido ainda o uso destas substâncias nos espaços e dependências do Caxuté e
em locais em que o Caxuté seja responsável pela ordem do espaço. Os
participantes, de maiores de idade, poderão experimentar bebidas apenas após a
Kizoomba de Kitembu, quando as atividades estarão sendo concluídas.
5.
Não aceitaremos sob nenhuma hipótese
práticas racistas, homofóbicas e machistas durante a realização da vivencia.
6.
Para fins de respeito às tradições e
normas do Caxuté, fica proibido durante a vivência à utilização de roupas
curtas para os sexos masculinos e femininos.
7.
É indicado para os participantes a
utilização de veste na cor branca.
8.
É resguardado o sigilo da liturgia do
terreiro.
9.
É proibida a utilização indevida das
imagens da Comunidade Caxuté.
10.
Recomendamos
que os participantes não levem objetos perfurantes ou cortantes para evitar
acidentes.
11.
A Comunidade Caxuté é isenta de
responsabilidade por perdas, danos, roubos, valores, objetos e pertences dos
participantes, porém qualquer questão parecida deve ser levada para a Comissão
Geral Organizadora do Projeto Viver Terreiro.
12.
Os participantes devem economizar ao máximo o
consumo de água.
13.
Por motivos de despesa fica a tesouraria da
Comissão Geral responsável por arrecadar a colaboração de 15 reais referente ao
credenciamento.
14.
No interior do Terreiro, condutas como
correr, usar celular e falar alto em meio as atividades são consideradas
inadequadas. A Coordenação pede que todos participantes da vivência atendam a
essas solicitações.
15.
Ajude a preservar a natureza, evite
jogar lixo no quintal e no chão, o lixo deve ser armazenado devidamente para
evitar maus cheiros e poluição local.
16.
Não tire ou arranque folhas e plantas
da Comunidade, este espaço é um considerado um santuário ecológico.
17.
Recomenda-se que levem agasalhos devido
ao frio do mês de agosto.
18.
Recomenda-se que cada participante que
tem ‘dieta própria’ organize sua alimentação, pois a Comunidade Caxuté não
garante alimentação para preferências individuais.
19.
A Comunidade Caxuté reserva-se o
direito de impedir o acesso às suas instalações de pessoas cujo comportamento
ponha em risco a segurança e a conservação do edifício, das obras de arte e o
bem-estar dos visitantes.
20.
Os participantes da vivência têm por
obrigação a manutenção da limpeza, bem como ajudar na organização do espaço das
atividades.
21.
A busca de água na fonte é parte do roteiro do
dia-a-dia- da comunidade.
22.
Os locais de hospedagem só estarão abertos
entre das 21h às 00h e das 06h às 07h.
O QUE TRAZER?
23.
Materiais de higiene pessoal
(sabonete, absorvente, escova de dente);
24.
Roupa de cama, travesseiro
e colchão;
25.
Roupas suficientes para os
05 dias de Vivência.
26.
Talheres, pratos e talheres
brancos
27.
Remédios básicos para dor
de cabeça, problemas estomacais são sempre importantes, visto que a escola fica
um pouco afastada da cidade e pode acontecer algum desconforto pela mudança de
rotina.
28.
Para participar das
atividades realizadas no dia 10 de agosto (Kizoomba da Maionga) é necessário
trazer: feijão branco, milho branco, vela, esteira de palha, roupa branca e
frutas em geral.
QUANTO ÁS DELEGAÇÕES:
29.
Cada delegação terá dois coordenadores
gerais, dois coordenadores de comunicação, dois coordenadores de alimentação e
limpeza responsáveis pela ordem do grupo da sua instituição;
30.
Deverão entregar a Coordenação todos os
itens solicitados na lista encaminhada à instituição de origem;
31.
Encaminhar às sugestões de oficinas até o dia
29 de julho.
Observação:
o presente manual pode haver alterações posteriores mas somente com a aprovação
da Comissão Geral da Kizoomba Maionga.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
KOAQUI SAKUMBI. Projeto Viver Terreiro, Comunidade Caxuté,
Valença – Ba, 2010.
Diário Oficial da União, disponível em:
<http://portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Resultado_Habilitacao_PNPI_2015_DOU.pdf>,
acesso em 16 de julho de 2016.
Táta Luangomina, Heráclito Barbosa. Escola Caxuté, premiada
pela Fundação Palmares, é destaque na Lavagem do Amparo 2015, disponível em:
http://serafro.blogspot.com.br/2015/10/escola-caxute-premiada-pela-fundacao.html,
acesso em 16 de julho de 2016.
POLÍTICA DE VISITAÇÃO, disponível em:
http://www.museudeartedorio.org.br/pt-br/visite/politica-de-visitacao, acesso
em 16 de julho de 2016, às 12:15.
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